sábado, 11 de junho de 2011

foto de palavras_certas em 02/07/10
-

Olha, eu estou tentando ser direta, e ao menos que você me olhe nos olhos e pare com todos esses joguinhos, eu não vou conseguir. Você entende? Eu preciso que você ouça para que eu possa falar, e mais que isso, que você me deixe falar. Me dê a oportunidade de dizer em linhas retas e palavras simples que eu sinto a sua falta. E é esse sentir que me tira do eixo, que machuca, esvazia. Dói e faz sangrar quando é tarde e frio e o meu corpo pede desesperado pelo seu. Então eu paro para ouvir meus gritos ecoando na madrugada e encontro o vazio das ruas. Sou oca. Meu deus, oca! E nem toda a fumaça de todos os cigarros de todos os perdidos que vagam por essas ruas sujas, poderia preencher esse espaço. Ele já está cheio de nada, e me encara do outro lado desse espelho quando me arranham os cacos, mesmo sem nunca ter tido a coragem de quebrá-lo. Se o quebrasse, o nada desapareceria, mas você ia com ele e eu não podia te deixar partir. Porque deixar partir é também me deixar ir embora e tenho medo de descobrir que a minha tristeza não é culpa sua. Enquanto isso, me rasgo em mil e atropelo palavras pra dizer que sinto a sua falta. Ainda faço algum sentido? Acho que não, mas já não me importa. O que você precisa entender é que se me pus aqui agora, frente a você que já me preencheu e esvaziou tantas vezes, é pra colocar o ponto final numa história de reticências. Te mostro como sou frágil para poder renascer forte. Sem você. Entende? Eu preciso te deixar, sabendo que você sabe que estou indo embora e não penso em voltar. É incoerente precisar te dizer isso, eu sei, é infantil, mas não estou tentando parecer madura. Eu quero ser madura, entende? E crescer não te inclui. Nem te exclui porque não se apaga um amor. Então deixa assim. Eu saio por essa porta e você fica, sai pela outra, pula janela, se esconde embaixo da mesa, tanto faz. Só não levanta e tenta vir junto, ou dizer qualquer coisa. Que a cena acabe dessa forma, porque se você pegar na minha mão, eu tenho medo de me desfazer de novo e esquecer tudo o que eu te disse.



@Sinceridades: As vezes é preciso perder, para dar valor e as vezes é preciso chorar, para aprender a amar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário